domingo, 12 de junho de 2011

Quando você voltou de férias

Ainda bem que parou de chover. Até chegar no restaurante eu teria que ter sorte pra conseguir um táxi. Aliás, em qualquer ocasião que envolva táxi é preciso de sorte. Posso contar nos dedos quantas vezes o motorista ouvia música boa. Mas fui, entre Fagner e Ney Matogrosso (respectivamente motoristas fãs da semana passada) eu já tinha aguentado o pior.

Não entendo como em uma cidade como esta, cheia de variedades gastronomicas, ainda há filas para conseguir uma mesa bem localizada. Eu prefiro na janela, já que se acontecer alguma coisa é só pular pra fora, mas ela disse no telefone que ventava muito - e concordei - e a decoração não era a mesma da última vez, as cortinas não lembravam os lençóis da infância. Então contei sobre como meus dias andam praticamente cheios, que cada mês parece passar mais rápido. Acho que abril teve 15 dias, no máximo. Ela comentava que diante de toda a liberdade do passado parecia meio estranho esse apego com a rotina de agora, mas não era algo que a incomodava. É liberdade merecida, e quanto mais se tem, menos quer parecer egoísta. A gente sempre gostava de dividir, nem se fosse um amendoim, a conta de luz, a banda, o espaço no banho.

Voltei pensando nos três segundos de paz instantânea que soa junto com aquele "estava com saudade" que ela sempre assopra com o lábio molhado de vida.

- Eu também, de verdade.

5 comentários:

Anônimo disse...

Ei, garoto. Depois de muito tempo te vi de novo, perto de onde eu moro. Tenho vontade de te conhecer.

Anônimo disse...

Ps: é um texto mais gostoso que o outro. Incrível, garoto.

Marcus Paulo disse...

Me conta um segredo então: quem é? E obrigado pelo comentário gostoso.

Anônimo disse...

Tô pasma com a tua rapidez. A impressão que eu tinha sobre você preguiçoso que insiste em namorar o edredon da cama até meio-dia mesmo quando não há mais sono algum foi diluída em dúvida. Hm... Preciso rever isso aí.

Mas a impressão sobre o seu gosto por Cássia Eller tá firme e forte aqui, hein. Falando nisso, tá tocando Luz dos Olhos agora.

E pode deixar que eu conto sim, mas da próxima vez que te ver por aí com mochila nas costas e sol no rosto.
Eu lembro de você bem assim, garoto.

Brenda Matos disse...

O seu comentário foi um dos mais lindos dos últimos tempos? Foi sim, foi sim. Há tempos que eu não me sinto tão feliz em ler a Caixa de Comentários. Amo Los Hermanos.

Obrigada, viu?

Seu texto traduz exatamente o que eu estou sentindo: Saudade. Amei.

Beijo, Marcus.