terça-feira, 4 de setembro de 2012

Aí eu li que palavras não ditas são eternas

Deixa eu te contar que hoje fui de novo naquela única-livraria-cheirosa da minha cidade e esqueci de lembrar de você. Sabe aquela lá que você comprou uma revista só por causa de um poster do Led Zeppelin? Então, essa aí. Aquela que você sempre saía já pedindo pra tomar milk shake e sempre pedia de morango e sempre me oferecia mesmo sabendo que eu odiava aquela merda que não fosse de ovomaltine.

Como sempre foi uma mania nossa, tirei a sorte e peguei só um livro. Só um-zinho, como se ser seletivo com livros fosse um exemplo sobre como ser seletivo com pessoas. E, por incrível que pareça, dessa vez escolhi mais pelo nome do que pela capa. Até porquê se eu pudesse escolher o nome de alguém pra me apaixonar, certamente seria Antonela.

Acredita que nunca conheci uma Antonela? Só Manuela, Manoela, Gabriela, Estela. Pelo menos terminam com ela.

Falando no livro, também lembrei da nossa mania de achar algum parágrafo bom e imaginar que todas as outras páginas fossem tão boas como aquelas poucas frases. Aí eu li que palavras não ditas são eternas. Aí eu lembrei que você sempre reclamava que eu falava demais, explicava demais, queria saber demais. Aí eu lembrei que eu te achava meio babaca e morta-pra-vida por sempre viver encolhida em lugares que não eram na minha cama. Aí eu lembrei que até quando eu te chamava de babaca e morta-pra-vida você reclamava que eu falava demais. Aí eu também lembrei que mesmo falando demais, eu também fazia demais. Consegue entender? São dois pesos que não eram equivalentes pra uma alma que se acostumava com tudo meio leviano. Mas se eu nunca quis isso pra quem só almejava coisas boas, imagina pra mim. Imagina só, sua babaca morta-pra-vida, se eu ia querer pra minha vida uma pessoa que só funciona na base do café.

Depois eu cansei de tentar limpar a sua barra, pois já que você nunca se ajudou, eu que não faria. E se eu voltei nesse assunto foi só pra mostrar pra mim mesmo que consegui entrar naquela livraria e esqueci de lembrar de você. O problema é que quando saí e me toquei disso, acabei lembrando mais uma vez.

3 comentários:

Vilso disse...

Texto formidável...

Gabi Dagios disse...

Sério Marcusshh, vai escrever um livro que eu juro que vai ser pra sempre o da minha cabeceira, só nunca pare de escrever, sério!

Gabriela Campagnucci disse...

Gostaria de se apaixonar porque seria uma AntoNELA, né? DANADS!
Tá, tirando esse meu humor idiota, quero dizer que gostei do jeito como tu escreve. Li outros textos, e garanto que voltarei aqui com frequência.

Parabéns ao(s) envolvido(s), haha!