terça-feira, 14 de agosto de 2012

Das cartas não são escritas porque a letra é feia


"Que ruim essa sensação de querer falar mil coisas e não saber como começar. Da mesma forma que foi ruim a sensação de querer ter ficado aquela vez pra assistir ao show com você e não pude. Sem contar em como queria ter ficado com você na praia, no meu quarto, em Curitiba. Fazia tempo que eu não sentia tantos empecilhos decorrentes de tantas coisas boas. Fazia mais tempo ainda que eu não me lamentava por ter que sempre me despedir de alguém. Sempre. E sempre em uma hora em que eu já havia me acostumado com o cheiro.

Aí comecei a escrever esse texto já pensando na abordagem das frases, sobre o que tomar cuidado pra não te deixar mais apaixonada por mim, sobre o que tomar cuidado pra eu não parecer, de fato, mais apaixonado por você. Daquele nosso jeito de se querer – que não se aprende com livros e filmes, com conselhos de amigos, com relacionamentos passados. E dentre tudo o que aprendi contigo, foi justamente isso a coisa mais palpável: eu aprendi, meio sem perceber, a gostar de você. Justo você que se estressava e me estressava com seu ciúme exagerado. Justo você que não era minha e a acabou sendo por algo que ficou guardado desde 2009, por aí. Justo você que eu sempre via com alguém, menos comigo. E quando foi minha, eu não pude acreditar. E quando acreditei a gente já estava longe demais.

Mas gestos assim, como a sua carta, são tão simples e sinceros quanto fazer uma janta em um dia de semana sem significado algum. Tudo bem se a comida for muito salgada, na verdade o que importa é poder beijar teu pescoço enquanto você tenta se concentrar na louça. E que raiva desse teu pescoço que é tão teu. Que raiva por eu não encontrar por em um loja qualquer e poder vendê-lo pra quem eu quisesse fingir ser você. Mesmo que essa ideia de te substituir não te agradasse. Mas bem que tu podia emprestar seu pescoço pra mim, né?

De resto, amor, pode ficar. Se a nossa plantinha brotou quando não deveria, me desculpa por ter ajudado a regar quando não era a hora. Mas a porção de água era muita. A vontade de vê-la crescer era maior que o medo de vê-la morrer por falta de cuidados.

Amo você. E sem essa de que você seja feliz com todos os seus outros. Você sabe que eu não sei fingir que aceito essas coisas. Não querer te ver triste é fato, mas quando quiser felicidade plena, tomara que ela ainda seja pertencente a mim. Assim como um dia você também foi."

SÓ PRA DEIXAR CLARO: A "SEMENTINHA" NÃO É UM FILHO(A)! Calma, galera.

3 comentários:

Adna Martins disse...

Eu meio que me sinto, sei lá, pra comentar algo assim. Até porque é lindo e ninguém precisa te declarar isto, já sabes/fazes. E o que acho interessante que muitas vezes acontece comigo e com outros, é que mesmo que não tenhamos sido personagens da vivência de quem o descreveu, a gente se pega, se encontra em alguns detalhes, sabe. E isto é bem bonito também, mesmo!

"Que ruim essa sensação de querer falar mil coisas e não saber como começar."




Daiane Sampaio disse...

Não sei o que dizer, só sei que eu fiquei assim: ♥

Thaís. disse...

Acabei encontrando teu blog e me deparei com essa linda carta. Gostei da forma como ela foi escrita, sabe? Uma coisa misturando o formal com o informal, ficou realmente muito bom. Aliás, teu blog em si é muito bonito! Eu aparecerei mais vezes por aqui. Um beijo, @pequenatiss.