quarta-feira, 17 de abril de 2013

De mim, sobre mim, mas com você no meio

Se eu fizesse uma lista e ditasse todas as pessoas para quem prometo coisas e não cumpro, por incrível que pareça, eu mesmo estaria no topo. Na maioria das vezes promessas matutinas. Como essa em que prometi hoje de manhã ficar quieto sobre o assunto que praticamente não resolvemos. E eu sei que deveria ficar quieto, sem questionar coisas que perfuram qualquer aspecto questionável. É isso e pronto, não precisa futricar lá no fundo dos pensamentos e procurar algum conforto, alguma nuvem em forma de travesseiro que vá me fazer ficar calminho-calminho. Mas eu juro, não consigo. Enquanto um lado meu promete que irá esperar (e só esperar), outro lado e vem dizendo que não mereço tamanha agonia. Se sempre botei todas as partes boas que tinha pra você para fora, porque agora fingiria uma certa calmaria?

Aí, sei lá, eu vim escrever sobre isso. Mesmo que pareça tão mas tão mas tão mas tão mas tão mais covarde. Mas é que eu ando me sentindo cansado, desgastado, chorando quando não quero e te querendo até quando choro. Choro misturado com vontade acaba desgastando demais a gente. Lasanha de chocolate não dá certo por isso. Choro e vontade também. O sal de cada merda lágrima não consegue manter uma relação saudável com o docinho da vontade. Lasanha é bom, chocolate mais ainda; os dois juntos não dá. Eu tô cansado, minhas costas doem no trabalho. E ainda bem que eu trabalho, tenho algo pra encher minha cabeça durante boa parte do dia. Mas tá frio, o outono anda com cara de inverno e mesmo num país com clima tropical, cada vento que bate forte faz doer meus ossos como se eu estivesse indo assistir uma partida de hóquei no norte do Canadá. Dói demais. O frio não vem sozinho. Tem uma coisa nele que abastece uma sensação mais gelada que nem o próprio vento tem noção do efeito.

Eu gosto de associar sentimentalismo com questões climáticas. Me deixa, sua implicante do caralho.

É sério. Ainda bem que eu trabalho. Mesmo que eu precise da internet para trabalhar e em dois segundos posso me distrair olhando qualquer foto sua, qualquer foto que te marcam, qualquer música que nunca associei contigo e agora fazem tanto sentido. Qualquer coisa que antes eram só coisas e que agora são coisas-você.

Mas já sei, falei tudo e não falei nada. Você vai achar de novo que eu sou meio sofrido demais para quem anda sempre despreocupado com tudo. Aliás, você não vai ser a primeira a achar. Minha mãe também acha. Quando passo dois dias de um final de semana em casa ela já quer saber o que aconteceu, com quem eu briguei, onde meus amigos foram e o motivo de eu não ter ido junto. Não é nada, mãe, mas quem eu queria mesmo ver não vai estar lá, então prefiro ficar.

E justo você, que sempre foi estímulo para fantasias programadas, viagens em cima da hora, saques em bancos em cidades que eu nem sabia que tinha meu banco e roupas amassadas dentro da minha mochila sem o zíper da frente; justo você, que sempre me fazia sentir na beira de um abismo com o céu no lugar do chão, agora é a principal personagem do texto mais real e baseado na minha própria realidade que já escrevi.

4 comentários:

Keury Caroline disse...

"...justo você, que sempre me fazia sentir na beira de um abismo com o céu no lugar do chão..." que coisa linda, Marcus! :')

Arianne Barromeü disse...

Chega eu fico sem palavras certas para elogiar e agradecer essas palavras tão lindas. Me senti em cada estrofe e me encontrei em cada intensidade posta nesse texto. Sou tua fã oculta, Marcus. Te leio em silêncio e grito no meio peito. Seus textos são tão complexos e cheios de mim neles. Parabéns! :')

Arianne Barromeü disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Raehli Hage disse...

E aqui estou eu, seguindo o seu blog porque esse texto me conquistou por completa. Tão lindo.. Volto sempre que puder

nidum.blogspot.com